Já visitou Portugal várias vezes. O que o leva a continuar a escolher Portugal como destino?
Sou doente de diálise há 17 anos. Comecei a viajar há cerca de 10 anos, depois do meu transplante. Já viajei por toda a Europa, mas nunca tinha estado em Portugal até há três anos. No entanto, nestes últimos três anos, já estive em Portugal quatro vezes: três vezes em diferentes clínicas Diaverum em Lisboa e uma vez numa clínica Diaverum no Porto.
Continuo a regressar a Portugal porque o meu trabalho me traz cá e também porque é muito fácil viajar para Portugal fazendo diálise.
Basta enviar um e-mail à Marta Olim e pedir-lhe ajuda. A Marta é extremamente simpática e prestável e trata de tudo o que preciso para poder fazer diálise onde necessito em Portugal.
Como descreveria a sua experiência na Clínica do Estoril? O que mais valoriza na clínica e nas suas instalações?
A minha última visita a Portugal foi a Carcavelos, perto de Lisboa. Vim participar num Patient Innovation Boot Camp na Nova Business School. A Clínica do Estoril era a mais próxima e, por isso, foi lá que fiz os meus tratamentos.
Quando cheguei à clínica, tudo foi muito simples. A secretária recebeu-me, falando muito bem inglês, e indicou-me para onde deveria ir. A sessão de diálise correu na perfeição, sem qualquer problema.
Até me deram duas sandes, o que foi ótimo. Melhor do que em Espanha, onde tive apenas café e bolachas! Correu tudo muito bem. Achei toda a equipa muito simpática e os enfermeiros falavam inglês.
Cheguei mesmo a fazer um pequeno vídeo enquanto doente sobre a clínica, que pode ser visto aqui.
Se regressar e ficar alojado nas proximidades, claro que gostaria de voltar à Clínica do Estoril.
Como descreveria a equipa da Clínica do Estoril e a forma como o recebe e acompanha durante os tratamentos?
A equipa dá realmente muito apoio. Todos falavam bem inglês e era fácil comunicar com eles.
Antes de começarmos a diálise, explicaram-me tudo, incluindo o funcionamento da máquina, e senti que fui muito bem recebido. Quando quis ver televisão, deram-me um comando e penso que tinha levado os meus próprios auscultadores para poder ouvir.
O ambiente era muito agradável. Lembro-me particularmente de um enfermeiro com quem tive uma excelente conversa sobre a vida em Portugal.
Quando chega à clínica para fazer o tratamento, sente-se um doente visitante ou, de alguma forma, já se sente parte da clínica?
Sempre que chego a uma clínica, sinto inicialmente que sou um doente visitante, porque sou estrangeiro e falo inglês, enquanto todas as outras pessoas falam português, neste caso. É natural sentirmo-nos um pouco desorientados ao início.
Mas, na Clínica do Estoril, a primeira pessoa que encontramos quando chegamos é a secretária, que fala inglês. Saiu do gabinete e disse-me: “Olá, é a pessoa nova. Venha até à sala de espera, aguarde um pouco e um enfermeiro virá buscá-lo.” Para mim, foi uma excelente forma de ser recebido na clínica.
Depois, naturalmente, temos de ir conhecendo a equipa, mas, quando cheguei à minha terceira e última diálise, já éramos amigos. No dia em que fui embora, fui o último a terminar a diálise e acabei a conversar com os enfermeiros junto à porta da clínica enquanto esperava pelo meu transporte e eles se preparavam para ir para casa.
Para uma pessoa que faz hemodiálise, viajar exige planeamento e, acima de tudo, confiança. O apoio que recebe antes e durante a sua estadia em Portugal ajuda-o a sentir-se seguro e tranquilo? De que forma?
Como referi anteriormente, em Portugal entro sempre em contacto com a Marta Olim e organizo através dela os meus tratamentos numa clínica Diaverum. É uma pessoa muito simpática e o seu apoio significa muito para mim.
Estou, inclusivamente, a planear trazer um grupo de doentes eslovenos a Portugal e eu e a Marta já estamos a preparar essa viagem para o próximo ano.
O apoio que recebi da Marta em Portugal foi realmente especial. Não estava habituado a ter este tipo de acompanhamento noutras clínicas na Europa. Foi em Portugal, através da Marta, que tive pela primeira vez este tipo de apoio, embora agora também esteja a colaborar com outros coordenadores em Espanha e Itália.
Penso que este é um dos melhores sistemas que já encontrei, porque simplifica muito a vida dos doentes. Basta contactarmos uma pessoa no país e essa pessoa ajuda-nos a encontrar uma solução de diálise próxima do local onde vamos ficar alojados.
Quando este tipo de apoio não existe, por vezes é necessário enviar e-mails para várias clínicas, esperar para ver se respondem e, eventualmente, fazer vários telefonemas. Na minha opinião, este é um dos melhores sistemas para quem pretende viajar de férias fazendo diálise.
Há algum aspeto que considere particularmente especial ou diferente na forma como é acompanhado durante os tratamentos em Portugal?
Para mim, foi especial. O apoio da Marta na organização da diálise, toda a informação que me foi disponibilizada... Claro que, nas clínicas Diaverum, grande parte da documentação é semelhante entre os vários países, mas é muito importante podermos confiar que teremos a nossa diálise organizada quando chegarmos e que a comunicação seja rápida e eficaz.
Numa clínica de diálise, é importante haver um médico que fale inglês, pelo menos inicialmente, para que seja possível decidir todos os pequenos detalhes relacionados com o tratamento. E, naturalmente, também ajuda muito se os enfermeiros falarem inglês.
No meu caso, houve algo que considerei especial: colocaram-me numa sala com um enfermeiro que falava inglês. Isso foi planeado. Garantiram que ficava acompanhado por um enfermeiro com quem conseguia comunicar, e foi algo que realmente se destacou nesta clínica.
Quando está de férias, qual é a importância de sentir que a diálise não define nem limita toda a sua experiência de viagem?
Viajo não só de férias, mas também em trabalho, e por vezes preciso que os horários da diálise se adaptem às minhas necessidades. Algumas vezes preciso do tratamento de manhã, outras vezes ao final do dia.
Para mim, é muito importante existirem opções e ser possível encontrar, em conjunto, o horário mais adequado para a diálise, sobretudo quando tenho reuniões importantes. Se viajarmos para um país apenas para participar numa reunião, precisamos de conciliar a diálise com esse compromisso, com os voos, com os transportes e com toda a restante logística.
Como referi, é importante existir alguma possibilidade de escolha e que a clínica consiga, sempre que possível, adaptar-se às necessidades do doente. Por vezes é possível, outras vezes compreendo que não seja. Depende da equipa e do número de doentes que estão a ser tratados na clínica.
Até agora, de uma forma geral, tenho conseguido “negociar” estes horários com as clínicas. Neste caso, na Clínica do Estoril, precisava de realizar uma sessão de manhã por causa de uma reunião e outra ao final do dia. Fomos ajustando em conjunto os horários para encontrar uma solução que funcionasse.
Depois de várias visitas e tratamentos em Portugal, existe algum momento, gesto ou aspeto dos cuidados da equipa que tenha ficado particularmente na sua memória?
Claro. Há uma história muito bonita de que me lembro.
Quando estava na Clínica do Estoril, uma senhora que estava na mesma sala fez 90 anos. A equipa trouxe-lhe um bolo, cantou-lhe os parabéns e celebrou o aniversário com ela. Depois, partilharam o bolo com os restantes doentes que estavam por perto.
É algo que não se vê em todo o lado.
Se outra pessoa em hemodiálise lhe dissesse que gostaria muito de viajar para Portugal, mas que receava realizar os tratamentos longe de casa, o que lhe diria?
Para mim, é muito simples. Se uma clínica de diálise está a funcionar e tem doentes a serem tratados, sabemos que existem profissionais com experiência para cuidar de nós durante um, dois ou três tratamentos.
Mesmo que em casa estejamos habituados, por exemplo, a fazer cinco horas de diálise, uma alteração temporária durante as férias pode ser gerida pela equipa clínica de acordo com as nossas necessidades.
Os enfermeiros têm experiência na punção da fístula arteriovenosa e no acompanhamento destes tratamentos.
Mesmo que não falemos a língua do país, a equipa tem acesso à informação clínica necessária e possui experiência. E, perante qualquer situação inesperada, existem profissionais preparados para atuar e garantir a nossa segurança.
Recomendaria Portugal e a Clínica do Estoril a outras pessoas que fazem hemodiálise? Porquê?
Recomendaria? Claro, sem dúvida.
Sinto-me realmente seguro quando estou nas mãos da Marta. Sei que vai cuidar de tudo aquilo de que preciso e isso acontece porque desenvolvi esta relação de confiança com ela.
Sinto-me confortável para viajar para qualquer região de Portugal onde exista uma clínica Diaverum. Para mim, não é um problema. Quer vá a uma clínica no centro de Lisboa, nos arredores de Lisboa ou no Porto, a minha experiência com as clínicas Diaverum tem sido sempre positiva.
Tenho de dizer que cada clínica é diferente e que a Clínica do Estoril é uma das mais recentes e agradáveis, mas, para mim, o mais importante é ter a possibilidade de fazer a minha diálise num horário e num local compatíveis com aquilo de que necessito.
Depois de tantas visitas, o que significa hoje para si regressar a Portugal e à Clínica do Estoril?
Regressar a Portugal não representa qualquer problema para mim. Sei que a minha diálise estará organizada e que só preciso de tratar dos voos, do hotel e do transporte até à clínica.
Também fiz muitos amigos portugueses em diferentes pontos do país e espero poder voltar a visitá-los em breve.
Para mim, Portugal é um daqueles países que posso considerar um país onde tenho liberdade para viajar fazendo diálise. Já existe toda uma estrutura preparada. Basta tratar de alguns telefonemas e e-mails.
Referiu que viaja frequentemente em trabalho. Pode explicar-nos um pouco melhor o trabalho que desenvolve e como surgiu o projeto Dialysis Adventures?
Sim, viajo muito em trabalho. É difícil explicar tudo de forma resumida, mas grande parte do que faço nasce da vontade de melhorar a minha vida enquanto doente de diálise.
Criei uma proteção para fístulas arteriovenosas, a Fistula Protect, e também fiz alterações em garrafas para ajudar os doentes de diálise a beber menos, através da Aqualis Health. Mas aquilo de que gosto realmente é de viajar e ajudar outros doentes a viajar também.
Foi por isso que decidi criar o Dialysis Adventures. Comecei por ajudar doentes eslovenos a viajar pela Europa, mas a minha visão é criar uma comunidade de doentes de toda a Europa e, eventualmente, de todo o mundo, que possam viajar juntos.
Imagino, por exemplo, vários doentes acompanhados pelos respetivos familiares ou cuidadores, vindos de Espanha, Suécia, Eslovénia e Portugal, a viajarem juntos para a Grécia, com a diálise, a viagem, os hotéis e os transportes organizados.
É desta forma que nos podemos ligar uns aos outros enquanto doentes e começar a partilhar as nossas experiências: aquilo que funciona melhor ou menos bem nos diferentes países e o que podemos aprender uns com os outros.
É assim que podemos crescer. E, no final, acabamos por criar amizades internacionais. Quando quisermos viajar para determinado lugar, já conhecemos alguém e podemos simplesmente perguntar: “Posso realizar a diálise na tua clínica?”
Estas ligações locais ajudam-nos a conquistar mais liberdade para viajar, mesmo vivendo com a necessidade de fazer diálise.